O poder do Sorriso e do pensamento positivo
Acredito que ser feliz seja o objetivo de todos nós, independentemente de sua profissão, interesse ou formação. Buscar a felicidade não é nada trivial e muito menos algo fácil. É um exercício que precisamos fazer diariamente.
Particularmente eu considero a positividade extremamente importante, senão fundamental para conseguir ser feliz. A famosa história de enxergar o copo meio cheio ou meio vazio se torna um mantra. Em qualquer lugar ou situação existem pontos positivos e negativos. Nossa percepção de gostar ou não de alguma coisa é diretamente ligada ao cabo de guerra ocorrido entre os dois lados. Se o lado positivo se destaca, tendemos a gostar mais. Se o lado negativo vem à tona, não iremos apreciar a situação.
Porém, é você quem define qual lado será mais forte a cada situação. Você quem valoriza ou não os pontos positivos de uma cidade, de um emprego, de um amigo ou parceiro. E neste ponto a receita se torna mais simples. Se você valoriza os pontos positivos mais que os negativos, e se convence que está gostando do lugar, do trabalho ou da pessoa, ser feliz se tornará bem mais fácil.
Não é simples, mas a
gente aprende. Me dei conta desta situação há alguns anos. Sai de minha cidade
natal para ir morar na capital aos 16 anos, sempre tive o sonho de ir para lá.
Estudar, conhecer pessoas novas e principalmente estar mais próximo do meu time
do coração eram os fatores que mais influenciavam neste desejo. Até o dia que
eu me mudei.
Chegando a Belo Horizonte me deparei longe da minha família, amigos de infância, namorada e outras coisas que estavam diretamente ligadas à minha rotina no interior. A saudade me incomodava e eu nunca estava satisfeito, mesmo conhecendo pessoas novas, estudando em um colégio que me preparava para meus objetivos e estando próximo do meu time do coração. Eu não via a hora de chegar os finais de semana para poder voltar para “casa” e encontrar tudo aquilo que eu tinha abandonado. Então, foi se criando tal ciclo vicioso. Visto que quando eu chegava em casa, era final de semana, saiamos, encontrávamos todos em modo tranquilo e aproveitávamos muito. Até chegar o domingo, o grande dia de voltar para onde eu “sofria”.
Amigos e família me questionavam sobre as novas descobertas na nova cidade e eu só falava coisas ruins, reclamava e enumerava tudo o que via de negativo. Até que tais pessoas afastavam de mim ou preferiam falar de outros assuntos. Obviamente, ninguém quer estar próximo de alguém que te puxa para trás o tempo todo. E se você não afasta de tais pessoas, deveria experimentar fazê-lo e verá o quanto irá te ajudar.
Eu não conseguia gostar de minha nova cidade enquanto não me convenci que eu precisava gostar. E a partir de um certo dia, decidi responder a todos que me perguntavam como estavam que estava ótimo. Mesmo sem ninguém falar eu começava a enumerar os pontos positivos de minha nova cidade e a curtir o momento em cada lugar. Decidi valorizar as ruas cheias de camisas do meu time, os belos visuais que a cidade oferece, e os bons bares e restaurantes. Mesmo se o garçom era inconveniente, as pessoas mau humoradas nas ruas, os atendentes da padaria nem olham na sua cara.
Desde tal decisão, me descobri apaixonado pela cidade. A ponto de sentir falta (muita) quando parti. Mas é muito fácil gostar do que já passou, e dizer que era o melhor momento de sua vida. Difícil é amar o momento atual. E foi isso que fiz desde o início de minha estadia na França.
Estava eu perdido, sem
amigos e em uma cidade muito pequena no interior da França. Cursando
informática, matéria que eu detestava nos primeiros anos de faculdade. Um prato
cheio para alguém negativo entrar em depressão. Porém este já não era mais eu.
Mesmo sem falar a língua, morrendo de saudade dos amigos e do arroz com feijão que só nós sabemos fazer. Ao lado de pessoas completamente diferentes, que não gostavam muito de sair não se motivavam facilmente para jogar futebol ou praticar esportes regularmente. E tudo isso me incomodava. Mas eu estava decidido a amar minha nova cidade e apliquei a fórmula de sucesso aprendida na primeira mudança.
Começava a me perguntar, o que tem de bom neste lugar? Croissant? Ótimo, vamos valorizar os croissants, os pains au chocolate, os amigos estrangeiros que fazemos (mesmo muitas vezes não sendo os mais simpáticos do mundo). A belíssima catedral da cidade me fascinava. O que decidi fazer, então? Vou a missa todos os domingos na catedral, e vou admirar sua beleza a cada instante.
Mais uma vez me encontrei apaixonado por tal cidade e muito feliz. Felicidade tamanha que incomodava meus pais, preocupados de eu nunca mais voltar para casa. E então, chega o momento de se mudar de novo. Minha nova casa não é mais Clermont-Ferrand, mas sim Paris.
Cidade detestada por
90% dos franceses. Sonho de boa parte das pessoas. De cara as pessoas que moravam
e trabalhavam comigo faziam o exercício diário de enumerar os defeitos da
cidade. Eu por outro lado caminhava pelas belas ruas e alongava meu caminho se
fosse preciso para poder passar em frente a torre Eiffeil ou ao Louvre.
Resultado? Amo Paris!
Uso tal exemplo porque
é simples, mas a ideia de olhar sempre para o lado positivo nos conforta e nos deixa
mais feliz. Obviamente não podemos entrar na zona de conforto e deixar de
buscar a melhoria dos pontos negativos. Em muitos casos, não é simples tomar a
decisão de olhar o copo meio cheio e o contexto geral deixa as situações mais complexas.
Certa vez li em um
livro uma outra prática bastante interessante. Segundo o autor, o riso não é
apenas uma reação do nosso corpo quando estamos felizes. Sorrir estimula sermos
a felicidade e o bem estar. Ele propunha, então, um exercício. Naqueles
momentos em que você está normal, nem bem nem mal humorado, que você se sente
indiferente, sorria. Você verá que você ficará feliz instantaneamente. Seu
humor muda e você se sente melhor quando você sorri.
E incrivelmente
funcionou. Comecei a colocar em prática. Estava indo trabalhar, pela manhã,
algo normal de todos os dias. Percebia que estava na situação descrita pelo
autor e decidia sorrir. Passava a me sentir bem imediatamente. Começava a rir
sozinho e ficar extremamente feliz. Aquilo me impressionou. Até que certo dia,
ao parar no sinal, com o vidro aberto olhei para a pessoa do carro ao lado que
me viu sorrido e sorriu de volta. Não tenho dúvidas que esta pessoa se sentiu
melhor neste momento.
No meu primeiro dia
como morador de Paris, decidi colocar em prática a ideia do sorriso. No mesmo
dia, dois turistas franceses vieram me pedir informações que eu não sabia
responde-lo. Mas logo ele me disse que eu era simpático e começamos a
conversar. Exatamente no momento que disse que era brasileiro começamos a estreitar
a conversa e logo ele me ofereceu um ingresso para o jogo do PSG no dia
seguinte. Fiquei extremamente feliz, mas tinha programado uma viagem para tal
dia e não pude aceitar. Mas de toda forma, o sorriso começou a gerar bons
frutos.
Há sempre duas formas
de olhar as coisas, como dizemos popularmente, podemos ver o copo meio cheio ou
meio vazio. Para ser feliz consigo mesmo é importante valorizar a parte cheia
do copo e tentar a todo momento vislumbrar que ainda podemos enchê-lo um pouco
mais, que ele tem capacidade para comportar mais água e podemos utilizá-lo
melhor. Desta forma, seremos capazes de aliar nossa autoestima por valorizar o
copo meio cheio com a visão de oportunidade e futuro.
Vislumbrar
crescimento, oportunidades de melhorias nos motiva e nos faz ter forças para
irmos além, ou muito além das fronteiras que nos são impostas. Sejam elas impostas
por nós mesmos ou pelos outros. Enxergando o lado bom das coisas, sorrindo e
vislumbrando oportunidades para o futuro, não tenho dúvidas que a felicidade
será presente como uma consequência disso tudo.
Tudo isso será feito
por você, única e exclusivamente. Obviamente, você ajudará ao próximo, e se
adaptará para fazer sua família, amigos e parceiro felizes. Mas como cita o
autor do livro Pai Rico Pai Pobre “é bem mais simples e plausível enxergar o
problema em si mesmo e trabalhar para melhorá-lo. Enquanto ficarmos jogando
para os outros nossos problemas nunca iremos resolvê-los. E assim reclamaremos,
tentaremos achar mais culpados e continuaremos insatisfeitos”. Sendo positivo,
você conseguirá se enxergar melhor que as outras pessoas não querem te fazer
mal todo o tempo.
As vezes elas apenas
olham para elas mesmas e possuem uma visão diferente da sua. Extraia o lado bom
e melhore o que você puder melhorar. Assim certamente você conseguirá
aproveitar os pequenos momentos e mudar as pessoas gradativamente.
Valorizar os momentos
é uma das formas que temos de transformar pequenos momentos normais em horas
felizes e então contribuir para sua felicidade como um todo. Vou contar então
uma outra passagem que aprendi muito.
Quando entrei na
universidade, morava em um apartamento próximo ao centro, por escolha minha.
Por esta escolha, precisava enfrentar cerca de 40 minutos de ônibus na ida e
uma hora e meia na volta. Várias vezes o ônibus estava lotado e eu meio
sonolento cochilava em pé nos corredores da famosa linha. Desde então eu
barganhava um carro junto aos meus pais. Dizia que gastaria a metade do tempo
para a ida e um terço na volta, que eu perdia tempo em transporte etc. Dizia
também que sem carro eu não poderia fazer estágio, porque seriam longe e não
teria tempo para chegar de transporte público. Tudo para realizar um desejo (e
também um sonho) de ter meu carro.
Meu pai me dizia, você não precisa de carro ainda, aproveita o tempo nos ônibus para fazer coisas produtivas, para aprender com as pessoas que você conhece. E realmente eu tentava fazer isso, porém reclamava e me sentia incomodado com tal situação. Até que quando comecei meu primeiro estágio, comecei a utilizar o carro de minha mãe para ir trabalhar e tinha o direito de usá-lo durante a semana longe dos meus pais. Já foi uma excelente conquista. Eu estava extremamente feliz, até que comecei a me estressar com o trânsito. Cada dia era um pouco pior para voltar para casa.
Com o mindset da positividade
mais maduro, decidi que o trânsito não me incomodaria. Para tal, a cada vez que
o carro parava devido aos engarrafamentos eu me imaginava em pé dentro do
ônibus voltando para casa. Imediatamente dava uma vontade de sorrir e um bom
humor instantâneo. Eu olhava para o carro e meu desejo era de abraça-lo. Como
não podia eu aumentava o volume do som, e curtia tal momento que me deixava
cada vez mais feliz.
Quero concluir com
esta história, porque em cada momento podemos enxergar problemas e defeitos. Nossa
tendência natural é enxergar tudo que está ruim, vislumbrando inclusive como
melhorar, mesmo se já progredimos um pouco. Reclamar não vai te ajudar em nada
e apenas irá valorizar para si mesmo os lados negativos. Desenvolva seu próprio
método da felicidade, valorize o lado positivo das coisas e seja feliz!
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