Reflexões o futuro do país em um cenário populista e sem propostas

 Estamos na reta final das eleições 2022. Talvez um dos piores cenários eleitorais que o país já tenha vivido. No início do período eleitoral, escrevi sobre a ausência de mudança no cenário, em que as propostas apresentadas em 1989 eram as mesmas discutidas mais de 30 anos depois. Porém, neste ano, o cenário se tornou um pouco pior. Ao acompanhar os debates, percebemos uma discussão sobre o passado, um ataque constante e uma ausência de propostas. Em momento alguns assuntos como reforma administrativa ou reforma tributária são discutidas com profundidade. Tentativas desesperadas de populismo acontecem de todos os lados e ninguém se posiciona de maneira convincente para o eleitor. Temos fanáticos de todos os lados e alguns racionais indo para o caminho menos ruim.


Eu me considero um liberal. Me simpatizo fortemente pelos ideais que criaram o partido Novo, do atual governador de Minas Gerais. Tenho estudado um pouco mais a escola austríaca de economia e me identifico constantemente. Porém, até mesmo o partido liberal que surgiu em meio a queda do governo Dilma Rousseff e a ascensão do presidente Bolsonaro parece estar perdido. O currículo e a capacidade da chapa liderada por Felipe D’ávila são inquestionáveis, porém o seu posicionamento militante na campanha incomoda até os que o conhecem um pouco mais a fundo. Ficou claro, para mim, que a estratégia proposta para esta eleição foi totalmente ineficiente e não conseguiu seduzir nem os eleitores que gostariam de ser seduzidos.


Não só o Novo, mas todos os partidos parecem que esqueceram as pautas que indignavam os eleitores em um dos maiores movimentos populares nacionais, que ocorreu em 2013 e reascendeu a direita no país. Fim do foro privilegiado, redução dos privilégios dos políticos, redução dos números de deputados, reforma política etc. eram algumas das bandeiras levantadas naquele momento. Um cenário de indignação com os políticos de carreira e um aceno ao liberalismo em um país com uma cultura extremamente estadista. Cultura tal que me gerou profundas reflexões recentes. Dona Leopoldina, mulher de D. Pedro II, era austríaca, berço das ideias liberais no mundo. Por que a maior intelectual do país em sua época não conseguiu nos influenciar?

É verdade que D. Leopoldina nasceu e faleceu antes da ascensão das ideias liberais, com Menger em 1871, mas o cenário brasileiro que a intelectual vivenciou era duro. Os vícios de politicagem se estendem até os dias de hoje já estavam presentes naquela época, trazido pela coroa portuguesa. São famílias e políticos que se perpetuam no poder, que se desconectam da realidade do empreendedor ou do trabalhador e manipula o sistema para se manter dentro dele.


Mudam os nomes ou a formalidade dos meios, porém as práticas são as mesmas. No período lulista, falávamos de mensalão e em seguida se institucionaliza o próprio sistema com emendas parlamentares que nada mais são que meios oficiais para a compra de votos. Como bem escrito no Valor Econômico, nas últimas semanas, alguns municípios, que não são lembrados por alguns de seus deputados padrinhos, vivem isolados e esquecidos, sem recursos, como se não fossem importantes, uma vez que não estão no cabresto de ninguém. Em paralelo, alguns deputados, destinam verbas para tais regiões e vão ali buscar sua manutenção no poder a cada período eleitoral. Cada deputado tem sua lista de prefeitos, os quais ele ajuda e no período eleitoral a retribuição acontece, uma forma diferente dos antigos votos de cabresto, criticados pelo próprio imperador brasileiro. Naquela época, apesar de estar só, D. Pedro II vislumbrava um projeto de nação desenvolvida, e a dificuldade de boas lideranças minava suas ambições. Mas afinal, alguém pensa em um projeto de longo prazo para este país? Ou melhor, alguém pensa neste país? Será que estamos melhores, neste sentido, que no século XIX?

É estranho ouvir os esquerdistas questionarem a manutenção da democracia pelos atos do presidente Jair Bolsonaro, ao passo que o líder máximo da esquerda nacional apoia veementemente ditaduras como Cuba, Venezuela e Nicarágua. Estariam eles criticando o adversário em relação aos aspectos que não querem chamar atenção para o próprio plano? Será que a volta do ex-presidente se assemelha ao movimento argentino com o retorno de Kirchner? Ou a Hugo Chavez que depois de preso, conseguiu soltura (sem ser considerado inocente) para ascender a presidência? Eu particularmente acredito que o movimento esquerdista dos Hermanos, bem como o dos chilenos e venezuelanos possam estar refletindo no Brasil. Neste sentido, em breve, poderemos estar sentindo as mesmas dores que os vizinhos.



Ao mesmo tempo, Bolsonaro bate fortemente na corrupção (inadmissível, é fato) mas usa os sigilos centenários para proteção de informações duvidosas. Após seu mandato, o presidente conseguiu montar uma equipe forte, que trouxe propostas para o Brasil, mas nenhuma delas está em sua bandeira de governo. Cada aparição reforça apenas ações populistas e busca engajar sua militância que se tornou tão fanática quanto a petista.

A verdade é que o cenário eleitoreiro de 2022 é crítico. Temos um criminoso que não deveria nem poder se candidatar, contra um candidato a reeleição que foi capaz de ressuscitar um líder que estava morto. A incompetência do atual presidente coloca em risco a ascensão da direita, o namoro com o liberalismo e esquece toda a pauta levantada nas manifestações populares que o levaram ao poder.


Fato é que uma população extremamente carente de bons líderes, exausta de políticos de carreira e que tenta avançar em um olhar empreendedor, não consegue se desapegar de uma cultura antiga de um estado que resolve todos os problemas, mesmo ficando cada vez mais clara a incompetência deste estado para resolver qualquer problema. O Brasil apresentado por cada candidato é muito diferente do país em que vivemos. Muito se discutiu nos últimos 2 meses a respeito do candidato a presidente e nos próximos 2 dias, a maior parte dos brasileiros vai escolher (sem procurar muito saber quem são) seus deputados e senadores. Estes, na maior parte independente, continuarão abandonando o país, como sempre o fizeram.

Seguiremos aguardando o momento em que a discussão do saneamento básico, da educação básica, infraestrutura ou mesmo da saúde publica serão mais importantes para aqueles que querem comandar o país que meramente quem consegue aumentar os gastos públicos para comprar mais votos da população que empobrece.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Completa-se 1 ano de uma jornada promissora

Transformando potencial em potência

Não julgue o peixe por sua capacidade de subir árvores