Minha Raízes e a base para construir o futuro

Sou um jovem, de 29 anos, que viveu diversas experiências. Muitas vezes não consigo me identificar com pessoas de minha idade, talvez por julgarem minha dedicação assídua a projetos pessoais e profissionais ambiciosos, ou por não compartilharem experiências tão ricas. Sou filho do empresário, Carlos Rivelli e da rígida dona de casa Maristela, fui criado em um ambiente de família unida, com valores fortes e costumes bem tradicionais e interioranos. Seguindo a trajetória do pai, comecei a acompanhá-lo no trabalho desde novo, vivenciando a realidade de uma companhia e do empreendedorismo desde que entendo por gente.

Meu pai, empreendedor e visionário, nunca teve muito tempo para acompanhar a rotina diária da criança, pois trabalhava muito, até tarde, diariamente. Porém, sempre compensou todos estes momentos sendo extremamente aberto ao diálogo e, sempre que possível, estando próximo e levando o filho junto com ele onde quer que fosse, desde o futebol até ao trabalho. Lembro-me de diversas oportunidades que haviam problemas na empresa, pela madrugada e meu pai me acordava para ir junto com ele. Imagino que, na cabeça dele, aquele era o momento de estarmos juntos, então independentemente se dormindo ou resolvendo problemas, estaríamos juntos. Dos 5 aos 10/15 anos, foram diversas oportunidades de compartilhar momentos como este, desatolando caminhões presos nas estradas de terra, treinando funcionários na nova forma de embalar produtos ou descobrindo como funcionavam novos equipamentos instalados nos aviários. Desde sempre, meu pai foi meu melhor professor e melhor amigo. Conviver com ele foi e continua sendo um aprendizado constante. Tenho plena convicção que me empenho fortemente para aprender, crescer e entregar grandes resultados, para honrar o caminho que ele trilhou e quem sabe um dia, ser uma fração do homem e ser humano que ele é. 

Hoje em dia, meu pai é um grande apoiador de minha jornada. Nosso desafio é aliar a experiência dele com minha energia e vontade de construir negócios. Sempre fomos companheiros nas conversas de negócios e nas atividades físicas, porém, atualmente ele me critica, dizendo que não há necessidade de treinar tanto e querer fazer provas tão longas, "Pra que isso?! kkk" 



A mãe, mulher exemplar de família rígida e tradicional, sempre foi o general da casa. Uma capacidade incrível de tracionar diferentes frentes e resolver problemas em todas as esferas, nunca deixou de estar próximo, cobrar toda a disciplina e comprometimento necessários para nosso desenvolvimento. Capaz de renunciar a tudo em prol da união da família e pelo sucesso meu e de minha irmã. A forte convivência com ela definiu vários traços de minha personalidade, dentre elas a capacidade de resposta sob pressão, autoconfiança e disciplina para conquistar grandes sonhos. Minha mãe sempre foi minha válvula de escape. Quando tudo aperta, é a ela que eu recorro, mesmo quando ela não pode fazer nada. Falar com ela me tranquiliza, acalma e me trás de volta a realidade, conseguindo focar em cada detalhe do que preciso fazer, independentemente do que ela disser, ela ilumina meu caminho.

Já que decidi falar da família, não posso deixar de falar da minha amada irmã. Três anos mais nova e personalidade forte, sempre foi e será a melhor companheira de qualquer momento. Ela faz o possível e impossível para agradar a todos. Confesso que tenho dificuldade de me expressar e manter próximo, mas sou capaz de dar minha vida por ela.

Ana Flávia é uma mulher muito dedicada em todos os projetos que faz, uma pessoa muito querida por todos e festeira ao extremo. Ela gosta de todos ao lado dela, a todo momento.


Minha família influenciou muito na formação da minha personalidade e meus valores. Graças a esta base, exercitei minha ambição e me mantive dentro dos princípios que embasaram minha vida até aqui. Aos 13 anos, comecei a trabalhar com mais frequência, seguindo os passos do meu pai. Acompanhava as áreas da empresa, em uma espécie de trainee e cheguei a me aventurar com meus primos nos negócios que eles começavam. Aos 16 anos, me mudei para Belo Horizonte, a fim de cursar o terceiro ano do ensino médio e me preparar para ingressar em uma boa universidade. Dai para frente, vinha vida cria um grande viés profissional e de desenvolvimento, alimentando sonhos cada vez maiores, com grandes tomadas de risco. 

Aptidão ao risco, certamente, é uma das grandes características marcantes que tenho e foi fator decisivo em todas grandes decisões que tomei.

O primeiro risco que considero foi tomar a decisão de ir morar sozinho, aos 16 anos, na capital, para focar nos estudos e conseguir entrar em uma das grandes universidades. O foco era Engenharia de Produção na UFMG e foi lá que ingressei, após ser aprovado em outras sete universidades federais.

Neste momento, comecei a sonhar em me tornar um grande executivo, de um grande grupo nacional ou multinacional. Analisei a carreira de presidentes de grandes empresas e usei estas trajetórias como base da minha. 

Sempre tive a intenção de usar o período da faculdade para conhecer diversas formas de atuar no mercado e gerar uma visão sistêmica dos negócios. Enfim, planejava após 5 anos de formado me mudar para fora do país, para fazer MBA em uma das melhores escolas de negócios do mundo (Harvard, Stanford, Warton, Kellogs, Insead, London e HEC eram as principais em minha cabeça). Para então, refletir se assumiria ou não o desafio da Rivelli, porém estando muito preparado para ele.

Ao ingressar na universidade, me envolvi em várias iniciativas, sempre voltado para o trabalho. O fato de não estar produzindo algo concreto enquanto me dedicava única e exclusivamente aos estudos me incomodava bastante. Isso reflete um outro traço de minha personalidade e meus valores: o trabalho.

No terceiro período iniciei meu primeiro estágio, onde atuei na área de planejamento financeiro de uma pequena mineradora e estruturamos o primeiro planejamento estratégico e tributário da companhia. Foi uma primeira experiência bastante interessante, que significou aprender a olhar para o trabalho de uma forma um pouco diferente. Durante o período de trabalho, minha família não entendia por que eu me dedicava tanto. Deixei de viajar com a família e passar alguns finais de semana juntos, para cumprir minhas entregas no trabalho. Ali começava um questionamento forte de minha família, que dura até hoje, se aquilo valeria a pena, dado todo o potencial do negócio que meu pai criou.

Ao fim do contrato, menos de uma semana depois, fui procurado pelo Instituto Áquila de Gestão, por indicação de um amigo. As conversas foram rápidas e 15 dias depois iniciei o trabalho como consultor. Ingressei no menor projeto da companhia como o único consultor full time e entreguei dois projetos bem sucedidos, aos 20 anos. Me identifiquei bastante com o trabalho de consultor e fiz grandes amigos, onde consegui ser bastante feliz no período que lá atuei.

Na mesma época, muitos colegas de faculdade partiram em intercâmbio, o que nunca foi minha vontade. Refletindo a respeito, não quis ficar para trás e busquei a melhor oportunidade que havia, o BRAFITEC. Diferente dos colegas que foram no programa Ciência Sem Fronteiras sem muito compromisso com resultados além do aprendizado cultura, resolvi escolher um programa que tinha possibilidade de duplo diploma. O problema era que havia dois pré-requisitos básicos para o programa: ser fluente em francês e ser um bom programador de computadores. Eu não cumpria nenhum dos dois, mas me candidatei, passei em todas as entrevistas e decidi ir para a França cursar a faculdade de Engenharia de Informática, com foco em Pesquisa Operacional, sem saber programar em nenhuma linguagem de programação.

Como eu disse anteriormente, sou extremamente propenso ao risco e foi esta característica que me fez encarar este desafio. Renunciei a um plano de carreira acelerado, rumo a sociedade, que me era proposto na consultoria e fui me aventurar em uma faculdade de informática, sem cumprir os pré-requisitos. Acabei indo morar na França, por dois anos, concluindo o período com dois diplomas franceses, o de Engenheiro de Informática e Modelagem e o Mestrado em Modelos e Algorítmos de Ajuda a decisão.

Na França, foram 2 anos. Certamente os anos em que melhor encontrei o equilíbrio entre vida pessoal, aprendizado e profissional. Por estar longe de casa, em um país frio, sem conhecer a cultura e as pessoas, a grande preocupação era a luta contra a depressão. Assim, a rotina de atividades físicas, leitura e vida social nunca eram deixadas de lado. Tudo isso conciliando com a necessidade de estudar para ser aprovado na universidade, porém com a certeza de que não seria o melhor, os estudos buscavam sempre o mínimo aceitável para a aprovação. 

Além disso, todos os momentos se tornavam grandes momentos de troca e aprendizado, uma vez que convivíamos com pessoas de todo o mundo. Certamente foi um período capaz de abrir minha mente, demonstrar que existem outras formas de viver, outras culturas (nem tão tradicionais quanto da minha família mineira ou mais tradicionalistas, como o interior da Alemanha).

Estes dois anos de França, certamente merecem um texto só para ele. Foi uma experiência bastante marcante. Uma frase em que o autor da nome a universidade em que estudei (Blaise Pascal), ilustra bem esta jornada "Uma vez que não podemos ser universais e saber tudo quanto se pode saber acerca de tudo, é preciso saber-se um pouco de tudo, pois é muito melhor saber-se alguma coisa de tudo do que saber-se tudo apenas de uma coisa."

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